Trocar a ignição sequencial por centelha perdida mudou a potência do Polo GT Turbo com FT550? No comparativo conduzido por Bernardo Toledo, os dois modos ficaram próximos de 185 cavalos nas rodas. O carro manteve as bobinas individuais e a injeção sequencial nas duas configurações.
A ignição sequencial dispara uma bobina por vez; a centelha perdida dispara nos cilindros gêmeos simultaneamente. No Polo GT Turbo testado, a mudança do modo de ignição produziu resultados próximos no dinamômetro. As diferenças entre os sistemas envolvem também tempo de recarga, correção por cilindro, sensor de fase e saídas de ignição.
Na ignição sequencial, cada bobina individual dispara quando o respectivo cilindro termina a compressão e inicia a combustão. Na centelha perdida, a centelha ocorre ao mesmo tempo nos dois cilindros gêmeos. Um deles está no fim da compressão; o outro, no fim do escapamento e início da admissão. A centelha aproveitada para a combustão é a do primeiro cilindro.
A simulação apresentada por Bernardo usa um motor de quatro cilindros com ordem de ignição 1-3-4-2. Os pistões dos cilindros 1 e 4 sobem e descem juntos, assim como os dos cilindros 2 e 3. O ciclo completo ocupa duas voltas do motor. Para explicar a centelha perdida, o exemplo usa bobinas duplas ligadas aos pares de cilindros. Esse exemplo deve ser distinguido do Polo GT Turbo do teste, que manteve bobinas individuais.

No exemplo com bobina dupla, a centelha perdida tem menor custo e requer duas saídas de ignição para o motor de quatro cilindros, contra quatro saídas no sequencial. O modo de centelha perdida dispensa sensor de fase: o sinal da roda fônica é suficiente para o funcionamento descrito. Em contrapartida, a bobina dispõe de metade do tempo de recarga, pois precisa centelhar mais vezes. Bernardo aponta que isso pode ser um problema em motores de altíssima rotação, como os de motocicletas ou pequenos motores estacionários.
A ignição sequencial oferece mais tempo para carregar a bobina e permite corrigir o ponto de ignição de cada cilindro individualmente. A comparação também aponta maior custo e maior demanda por saídas da ECU. Nesse modo, o sensor de fase identifica qual dos cilindros gêmeos está entrando em combustão. Na centelha perdida, as correções individuais por cilindro não estão disponíveis no sistema explicado.
O comparativo foi realizado no dinamômetro com um Polo GT Turbo equipado com FuelTech FT550. Bernardo repetiu a puxada com o sistema sequencial antes de mudar o modo de ignição. A alteração foi feita no FTManager, com o motor desligado.
As bobinas individuais foram mantidas nas duas configurações. O modo de ignição passou de sequencial para centelha perdida, enquanto a injeção de combustível permaneceu sequencial. Portanto, a comparação apresentada é entre modos de acionamento das mesmas bobinas individuais.

O Polo GT Turbo apresentou aproximadamente 185 cavalos nas rodas nos dois modos. Bernardo descreveu uma pequena diferença, de cerca de um cavalo, e a atribuiu ao erro de medição do dinamômetro. O resultado relatado foi de potência máxima praticamente igual nas duas puxadas desse comparativo.
Praticamente o mesmo resultado, né? É, tem uma pequena diferencinha aqui, mas isso é um cavalo que entra no erro de medição aqui do dinamômetro.
Bernardo Toledo
No gráfico, a curva azul corresponde ao modo sequencial e a verde à centelha perdida. As curvas de potência e torque ficaram próximas no teste. A conclusão apresentada para esse Polo é que a troca do modo de ignição não alterou sua potência máxima de forma relevante.

A ignição sequencial dispara para o cilindro que termina a compressão e inicia a combustão. A centelha perdida dispara nos cilindros gêmeos simultaneamente, mas apenas um deles está entrando em combustão.
Não. O Polo GT Turbo manteve bobinas individuais. A mudança foi no modo de ignição, de sequencial para centelha perdida, enquanto a injeção de combustível continuou sequencial.
A potência máxima apresentada foi de aproximadamente 185 cavalos nas rodas em ambos. Bernardo Toledo atribuiu a pequena diferença entre as puxadas ao erro de medição do dinamômetro.
Não, no sistema explicado o sinal da roda fônica permite o funcionamento em centelha perdida. Para o modo sequencial, o sensor de fase identifica qual cilindro gêmeo está entrando em combustão.
A bobina em centelha perdida tem metade do tempo disponível para recarga porque centelha mais vezes. O modo sequencial oferece mais tempo para carregar a bobina. Essa diferença pode pesar em motores de altíssima rotação, conforme a comparação apresentada.
Vídeo original no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=6C2Sd_vkysQ
Fonte editorial: Sequencial ou Centelha Perdida? Comparativo no dinamômetro com Polo GT Turbo e FT550, canal FuelTech.